sexta-feira, 25 de maio de 2007

África.

Hoje (25/05), é o dia mundial da África. E é mais do que necessário discutir sobre a tal, por várias questões, sejam elas culturais, geográficas, políticas ou sociais. Antes de qualquer coisa é preciso acabar com o estereotipo de que a África é um único país sendo a mesma formada por 54 países. Países esses, que pelo fato de terem sido formados ou colonizados de diferentes formas, são diferentes entre si.
A África não é somente o deserto do Saara, a pobreza, canibais ou só a raça negra por todos os lados. Primeiro por que é preciso muito cuidado ao falar de uma única raça em um continente que possuem pelo menos 4. Segundo que é fato que a região seca propiciou a extensa área desértica, mas também deve-se lembrar que por ser muito grande, o continente possui outros tipos de clima e consequentemente outros tipos de vegetações (lembrando que a segunda maior floresta do mundo está na África, perdendo só para a Amazônia.). Por fim, em como qualquer outro continente subdesenvolvido, que foi colônia de exploração, rico em recursos naturais e minerais, é claro que a pobreza vai existir, mas como pra toda regra há a sua exceção, na África também vai ter seus países altamente desenvolvidos e aqueles que estão a caminho do seu desenvolvimento.
Alguns colonizadores europeus se instalaram na África do Sul, enquanto outros voltavam a seus países de origem após as colônias conquistarem a sua libertação, o que fez com que tenha uma pequena porção da população na África que é branca.
Para finalizar, gostaria de esclarecer algo que é fatal quando lembramos da África, o candomblé. Essa religião é absolutamente brasileira, tendo com base algumas outras que vieram dos escravos trazidos na época da escravidão (dos Bantos e Sudaneses), mas aqui foi tomando sua forma brasileira. Na África, há predominância da religião islâmica ou muçulmana, o que não possui semelhança quase alguma com o candomblé do Brasil.


nai.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Enquanto isso...

Brasileiro gosta é de novidade. E não é novidade de que cada dia que passa temos um novo escândalo político batendo à nossa porta. Assim como não é novidade de que uma hora ou outra os professores entram em greve e os rodoviários idem. Não é novidade a violência tomar conta da cidade, assim como não é novidade a apatia do cidadão em relação a assuntos de interesse público; não é mesmo.

O que é novidade então? Um bebê que sofre da síndrome de Bardet-Biedl, uma doença genética rara, e não conseguia andar por causa do excesso de peso e que está prestes e ter aulas na creche? Não, isso é notícia velha. Novidade, então, seria o fato do ministro de minas e energia ter entregado o cargo por causa do escândalo da operação navalha? Não, nós já sabíamos que isso aconteceria, cedo ou tarde. Novidade boa é novidade grande, novidade massiva, acessível, luminosa e bem, muito bem divulgada. Algo tão grandioso quanto um shopping. Um Salvador Shopping.

Pois bem, o recém inaugurado Salvador Shopping já começou a dar o que falar em apenas 48 horas de existência. Seja da sua enorme variedade de lojas, seja do seu piso vitral(que te deixa com a sensação de que tudo irá desabar em segundos), seja da sua extensa praça de alimentação ou até mesmo do não inaugurado Cinemark, todos, todos falam deste gigante que acaba de se instalar na nossa querida cidade cheia de sol, alegria e calor. Devo admitir que eu estava lá, com os meus amigos, admirando a grandiosidade e a novidade, devo admitir que por alguns segundos quis ficar com cara de idiota, com cara de quem nunca viu um shopping (e olhem que eu conheço até shopping que tem um trem, pasmem, de verdade na parte de dentro), devo dar o braço a torcer.

Mas é estranho pensar que enquanto eu, você e mais uma considerável quantidade de cidadãos baianos estávamos lá no bendito shopping novo, o mundo não parou aqui fora. A guerra no oriente médio não parou, o desemprego não caiu para 0,a AIDS não teve sua cura encontrada, enfim, nada mudou. Mas, então, de que serviu esse shopping novo? De nada? Não... serviu muito bem para sairmos do famoso esquema de ir ao Iguatemi nos dias de quarta-feira, serviu para termos uma novidade para contar, serviu para nos sentirmos mais atualizados em relação às grandes cidades (já que agora temos um super-shopping com um super-cinema e com um super-orçamento), outra vez, serviu de anestésico para o pânico causado pelo contrabando, pelo (dês)governo do país e finalmente serviu para termos mais opções de consumo e assim podermos torrar o nosso dinheiro em futilidades (ou não) sem nos preocuparmos com o amanhã.




Tazzio Puccinelli

Sem os direitos das mulheres, os direitos não são humanos

(complementando o Post anterior)
O Dia Internacional dos Direitos Humanos, comemorado em 10 de dezembro, foi a última data que marcou a Campanha 16 Dias de Ativismo Pelo Fim da Violência Contra as Mulheres , promovida pela AGENDE Ações em Gênero Cidadania e Desenvolvimento em parceria com Redes e Articulações Nacionais de Mulheres e de Direitos Humanos, Congresso Nacional, órgãos governamentais, empresas estatais e privadas, e agências das Nações Unidas. A data encerrou os dezesseis dias da campanha, mas a luta continua dia após dia.O dia 10 entrou no calendário mundial por celebrar a adoção, em 1948, pela Organização das Nações Unidas (ONU), da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), código ético e político do século 20 voltado à proteção dos direitos fundamentais da pessoa humana. A Declaração nasceu em resposta à barbárie praticada pelo nazismo contra judeus, comunistas e ciganos e ainda às bombas atômicas lançadas pelos Estados Unidos sobre Hiroshima e Nagazaki, matando milhares de inocentes.Como a Campanha 16 Dias busca evidenciar que a violência contra as mulheres é uma violação aos direitos humanos, a data é extremamente importante e significativa. Por essa razão, o dia 25 de novembro – Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres – marca seu início e o 10 de dezembro - Dia Internacional dos Direitos Humanos – seu encerramento. "Até hoje, nenhum país conseguiu acabar com as desigualdades de gênero nem com a discriminação. Isso precisa mudar porque a luta pelos direitos humanos não tem sexo e sem os direitos das mulheres, os direitos não são humanos", afirmou a diretora-executiva da AGENDE, Marlene Libardoni.O filósofo italiano Norberto Bobbio disse que "os direitos nascem quando devem ou podem nascer", deixando claro que muitas dimensões ou necessidades humanas são vistas ou reconhecidas na esfera dos direitos, somente a partir de determinados momentos históricos motivados por sujeitos, grupos organizados ou movimentos sociais que politizam suas insatisfações e as convertem em demandas. Com a definição dos direitos humanos foi assim. Não é nova a idéia de que seres humanos têm direitos e liberdades fundamentais, mas a concepção dos direitos humanos como objeto próprio de uma regulação internacional é bastante recente e têm sua origem na crença de que parte das violações praticadas durante a segunda guerra poderiam ser prevenidas se existisse um efetivo sistema de proteção internacional.
Os direitos humanos têm como princípios a universalidade, indivisibilidade e interdependência. Os direitos civis, políticos e econômicos, sociais e culturais são aplicáveis a todos e compõem uma unidade indivisível, interdependente e inter-relacionada, em que só o reconhecimento integral de todos esses direitos pode assegurar a realização de cada um deles.
DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES

Os compromissos assumidos pelos Estados nas principais Conferências Internacionais da ONU, realizadas na década de 90, são de fundamental importância para os direitos humanos das mulheres. Em especial, a Conferência Mundial dos Direitos Humanos de Viena (1993), a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento do Cairo (1994) e a Conferência Mundial sobre a Mulher de Beijing (1995), que especificaram os direitos de igualdade de gênero. Foi em Viena que, pela primeira vez, se reconheceu expressamente que os direitos humanos das mulheres e meninas são parte integrante, indivisível e inalienável dos direitos humanos universais e que a violência de gênero é incompatível com a dignidade e o valor da pessoa humana.
Outros dois importantes tratados internacionais, que relacionam os temas de discriminação e violência contra as mulheres, num contexto de proteção especial são: a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW, ONU, 1979), ratificada pelo Brasil em 1.º de fevereiro de 1984, que garante a defesa em âmbito mundial; e a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher (Convenção de Belém do Pará, OEA, 1994), ratificada pelo Brasil em 27 de novembro de 1995, que define os parâmetros nacionais para o problema.
Ao especificar os direitos que protege, a Convenção de Belém do Pará destaca o direito de toda mulher a uma vida livre de violência, ou seja, livre de todas as formas de discriminação e o direito de ser valorizada e educada livre de padrões estereotipados de comportamento e costumes sociais e culturais baseados em conceitos de inferioridade ou subordinação.Considerando que a violência constitui-se em obstáculo aos direitos humanos das mulheres e que acabar com a violência é eliminar a discriminação, a Convenção destaca ainda uma série de outros direitos que devem ser respeitados e garantidos. Mesmo com tudo isso, os direitos das mulheres ainda não são completamente respeitados e a luta por essa garantia tem de ser diária.

sábado, 19 de maio de 2007

Mulheres na Sociedade - Índia

Segundo o censo de 1991, 8% de todas as mulheres da India são viúvas, o que significa cerca de 34 milhões de pessoas. Como o costume é o casamento das meninas muito novinhas, 50% das viúvas têm menos de 50 anos de idade.No grupo acima de 60 anos, 64% das mulheres são viúvas, enquanto que apenas 6% dos homens são viúvos. Essa diferença brutal de gênero existe por causa da alta incidência de viúvos que se casam novamente, enquanto que um novo casamento, na prática, continua sendo uma opção bastante improvável para as mulheres.pesar dos números, sabe-se pouco sobre a vida dessas mulheres, na India. A marginalização as torna invisíveis. O que sabemos é que elas vivem em completa pobreza, desemprego, sem acesso aos meios de produção, sem educação formal e sofrendo por superstições que ainda estão bastante arraigadas na cultura indiana.Já em 1956, um ato hindu estabeleceu que as viúvas devem ser consideradas iguais a todas as mulheres, mas a tradição fala mais alto.Por causa de todas privações que passam, as viúvas têm um índice de mortalidade 85% maior que as mulheres casadas. Apesar das péssimas condições dessas Casas de Viúvas, muitas preferem viver nelas do que ficar com a família do ex-marido, sendo constantemente abusadas sexual e fisicamente.
Também confirmou que a maioria dos casamentos continuam sendo arranjados e o dote é uma regra geral. Explicou que o casamento, na India, não é visto como uma atitude de dois indivíduos, mas uma ação em família, que compromete a reputação das pessoas envolvidas por gerações e deve ser muito bem planejado, porque o divórcio, apesar de legal é extremamente estigmatizado.Um dos fatores que mais contribuem para a difícil situação da mulher é a exigência, por parte da família do noivo, de um dote que deve ser oferecido pela família da noiva, em dinheiro e que se diz tem como objetivo "ajudar os recém-casados em sua nova vida".A explicação dada, muitas vezes é que o dote é como se fosse uma compensação à família do noivo pelas despesas que tiveram para educá-lo e prepará-lo para sustentar a noiva e sua nova família pelo resto da vida.Na verdade, muita gente vê o dote como algo prático, como uma verba que a mulher teria, como segurança, no caso de morte do marido, por exemplo. Claro que na maioria das vezes, a mulher nunca vai ter nenhum acesso a esse dinheiro. O dote acaba pesando muito e até desestruturando financeiramente uma família.
O Sati, ou a queima da viúva viva numa fogueira, junto com o corpo do marido morto, ainda que raríssimo e tenha sido banido do país desde 1829, foi noticiado um caso em 2002, quando uma viúva de 68 anos cometeu suicídio, queimando-se viva com o marido. Desde os anos 40, vinte e cinco casos de Sati ainda foram registrados na India, inclusive meninas de 18 anos de idade. Grupos feministas se mobilizam para evitar a adoração a mulheres que cometeram esse sacrifício, como forma de evitar um ressurgimento dessa prática.
A India tem um dos menores índices de nascimento de mulheres do mundo. Segundo o censo de 2001, nascem apenas 927 mulheres para cada 1000 homens. No Estado de Haryana esse índice cai para 782 mulheres, enquanto que, em outros países, a estatística média é de nascimento de 1050 mulheres para cada 1000 homens. E, na India, essa diferença está aumentando a cada ano.São os "avanços da tecnologia" e suas consequências inesperadas. A diminuição do nascimento de meninas, na India, deve-se à proliferação de empresas clandestinas, em qualquer cidadezinha mais remota da India, que fazem ultrassom por apenas 10 dólares e, com uma taxa adicional, fazem um aborto, se o feto for do sexo feminino. A situação é tão grave que o governo proibiu a realização de ultrassom, com o objetivo de saber o sexo do bebê. Mas o apelo dessas empresas e a realidade social falam mais alto. Propagandas dessas clínicas afirmam: "pague 500 rupees agora e economize 50.000 no futuro", numa referência ao dote que o pai da noiva precisa dar à família do noivo, no casamento.
Se a menina sobreviver a tudo isso, e conseguir que a família arranje um casamento, ela ainda estará correndo risco de ser queimada viva, no que se convencionou chamar de "bride-burning", e que poderia ser traduzido por "queima da noiva".
No casamento na India, a família da noiva é obrigada a dar um dote e vários presentes para a família do noivo. Em muitos casos, quando a "fonte de dinheiro" se esgota, o noivo e sua mãe passam a considerar aquela noiva indesejável. E a matam, para que o noivo possa casar-se novamente e começar todo o processo de presentes de novo.
O termo "bride-burning" começou a ser usado porque essas mulheres, geralmente, são mortas na cozinha, enquanto estão preparando a refeição da família, alguém joga querosene, outro acende um fósforo e a morte é reportada como "acidente doméstico" com o fogão a lenha.Dados oficiais do Governo da India apontam 7.000 mortes por "Bride-Burning", por ano, ONGs afirmam que é o dobro. Um artigo chega a falar em 25 mil.Além da prática de assassinato das noivas, cujas famílias não dão a quantidade de dinheiro e presentes solicitada, é comum a tortura dessas mulheres, que apanham tanto da família do noivo que tornam-se portadoras de deficiências físicas, com ainda mais dificuldade para trabalhar duramente, como espera-se que faça.Muitas vezes, mesmo sabendo que corre risco de vida, a noiva não tem para onde ir. Os pais não a querem de volta e os abrigos governamentais não oferecem condições de moradia e é difícil conseguir uma vaga.
Outros dados sobre as mulheres, na India:
- Altíssimos índices de desnutrição, porque a tradição é que as mulheres se alimentem por último e menos que o resto da família, mesmo que esteja gravida ou amamentando. Mães desnutridas dão a luz à bebês desnutridos, perpetuando o ciclo.
- Mulheres recebem menos cuidados de saúde que os homens, muitas vezes são forçadas a ter vários filhos, até um ser homem, não recebem cuidados adequados durante a gestação e saúde reprodutiva.
- Para cada 100 mil nascimentos, morrem 540 mulheres indianas no parto ou em decorrência de complicações da gravidez. Muitos desses casos são consequencia de abortos ilegais. No Brasil, o índice de mortalidade materna é de 160 para cada 100.000 nascimentos. Na Suécia o índice é de apenas 5 mulheres para cada 100.000 nascimentos.
- As meninas recebem muito menos educação formal que os meninos, são tiradas da escola para ajudar em casa ou por medo da violência.
- Em termos de quantidade, a India tem um dos maiores índices de participação da mulher no mercado de trabalho. As mulheres trabalham mais horas e em tarefas mais árduas que os homens. Ainda assim, seu trabalho não é reconhecido.
- Em lugares onde a vida da mulher vale tão pouco, é normal que o estupro não seja considerado crime grave e tenha índices altíssimos, especialmente nas cidades grandes, como Delhi.
- Ainda que existam leis que protegem a mulher, elas não são devidamente cumpridas.
- Mulheres nunca têm direito à herança.
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por: Viviana M.

Keith Richards prepara-se para lançar biografia.

Os curiosos (e polêmicos) causos da vida de Keith Richards estariam prestes a virar livro, revelou o New York Post. Segundo o jornal, o guitarrista dos Stones deve se reunir com editores norte-americanos em julho para negociar um contrato de publicação.Se conseguir lançar o livro, Richards deixa para trás o vocalista Mick Jagger – que recentemente admitiu ter desistido de escrever sua autobiografia porque achava tudo muito entediante.
O guitarrista também pode faturar um ótimo contrato: Eric Clapton, por exemplo, teria recebido quase US$ 5 milhões para preparar sua autobiografia, que será lançada neste ano.

Richards ilustra a capa da última edição da revista Rolling Stone, na qual aparece ao lado do ator Johnny Depp. O rolling stone fez uma pontinha no filme “Piratas do Caribe 3”, interpretando o pai do capitão Jack Sparrow.

- Luciana Silveira


O mais interessante de tudo isso é:
1 - Keith ainda vive para fazer uma biografia (!)
2 - Jack Sparrow tem pai!
3 - Que espécie de zine é esse que copia e cola a matéria da mtv?



T.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

"O futuro assusta e o presente não ajuda."
nai.

Cinema Brasileiro.

Filmes que tratam de subúrbios nacionais sempre me causam um sentimento pungente. Às vezes, culpa. Tantas outras, alívio. É trabalho do elenco: tentar emocionar, mexer verdadeiramente com as sensações de quem os assiste, mesmo que muitos dos atores não vivam a realidade proposta.

Em Amarelo Manga, não existe essa culpa (a qual lhe dá vontade de fazer uma boa ação). Nesse longa os personagens são pobres sim, não coitados. São egoístas e sarcásticos (porque não?).
O filme é composto de curtas histórias que se entrelaçam no subúrbio de Recife. As vidas de personagens tão marcantes são corrompidas pelo acaso agressivo, quebrando a rotina amarela, seca.

De modo geral, os habitantes dos cortiços, para a sociedade apenas existem; não SÃO. E isso não faz deles menos cruéis, nem era pra fazer.
Após a morte do dono de um desses cortiços, as histórias começam a se concretizar.

O açougueiro que não se decide entre a amante e sua mulher evangélica, e corre o risco de ser atingido pelos desejos de um cozinheiro homossexual. O traficante necrófilo se apaixona pela garçonete de um boteco fedido, o qual beira uma realidade não muito distante da nossa.

O drama acaba de maneira brusca e é opaco, lancinante, deixando uma sensação um tanto quanto inacabada interior de quem o absorve.

Por Ludmila Rodrigues

Elenco: Leona Cavalli; Matheus Nachtergaele; Jonas Bloch; Dira Paes; Chico Díaz.
Direção: Cláudio Assis
Roteiro: Hilton Lacerda
Gênero: Drama


quinta-feira, 17 de maio de 2007

Ideologia:

Uma mentira, ainda que a digam milhares de bocas, não deixa de ser uma mentira. (Anatole France)

A alienação social se exprime numa "teoria" do conhecimento espontânea, formando o senso comum - conhecimento social reproduzido - da sociedade. Por seu intermédio, são imaginadas explicações e justificativas para a realidade tal como é diretamente percebida e vivida.

Um exemplo desse senso comum aparece no caso da explicação da "pobreza" em que o pobre é pobre por sua própria culpa ou por vontade divina ou por inferioridade natural. Esse senso comum social, na verdade, é o resultado de uma elaboração intelectual sobre a realidade, feita pelos pensadores ou intelectuais da sociedade - sacerdotes, filósofos, cientistas, professores, escritores, jornalistas, artistas - que descrevem e explicam o mundo a partir do ponto de vista da classe a que pertencem e que é a classe dominante de sua sociedade. Essa elaboração intelectual incorporada pelo senso comum social é a ideologia. Por meio dela, o ponto de vista, as opiniões e as idéias de uma das classes sociais - a dominante e dirigente - tornam-se o ponto de vista e a opinião de todas as classes e de toda sociedade.

A função principal da ideologia é ocultar e dissimular as divisões sociais e políticas, dar-lhes a aparência de indivisão e de diferenças naturais entre os seres humanos. Indivisão: Apesar da divisão social das classes, somos levados a crer que somos todos iguais porque participamos da idéia de "humanidade", ou da idéia de "nação" e "pátria", ou da idéia de "raça" etc. Diferenças naturais: somos levados a crer que as desigualdades sociais, econômicas e políticas não são produzidas pela divisão social das classes, mas por diferenças individuais dos talentos e das capacidades da inteligência, da força e de vontade maior ou menor etc.

A produção ideológica da ilusão social tem como finalidade fazer com que todas as classes sociais aceitem as condições em que vivem, julgando-as naturais, normais, corretas, justas, sem pretender transformá-las ou conhecê-las realmente, sem levar em conta que há uma contradição profunda entre as condições reais em que vivemos e as ideais.

Por exemplo, a ideologia afirma que somos todos cidadãos e, portanto, temos todos os mesmos direitos sociais, econômicos, políticos e culturais. No entanto, sabemos que isso não acontece de fato: as crianças de rua não têm direitos, os idosos não têm direitos; os direitos culturais das crianças nas escolas públicas é inferior aos das crianças que estão em escolas particulares, pois o ensino não é de mesma qualidade em ambas; os negros e índios são discriminados como inferiores, e os homossexuais são perseguidos como pervertidos.

A maioria, porém, acredita que o fato de ser eleitor, pagar as dívidas e contribuir com os impostos já nos faz cidadãos, sem considerar as condições concretas que fazem alguns serem mais cidadãos do que outros. A função da ideologia é impedir-nos de pensar nessas coisas. (Marilena Chauí)

Não se deixem enganar!
Ideologia? Não precisamos de uma para viver.





Por: Viviana M.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Na Cabeça Ativa. Isso te incomoda?






Por que não legalizar a maconha? Pessoas que usam para o bem da sua própria saúde correm o risco de serem presas, pois o uso da mesma ainda não é legalizado, e podem acabar entrando para a ilegalidade sem ter feito mal algum. E se for legalizado? Como a sociedade vai aceitar? E se não aceitar? Estas são algumas perguntas que até o dado momento estão sem respostas.

Várias pessoas estão, atualmente, sobrevivendo da produção e do comércio da maconha. O tráfico vem gerando um intenso mercado de trabalho. Percebe-se isso desde o cultivo até o momento em que chega no "mercado".

No Paraguai, os produtores plantam de maneira organizada obtendo plantas com até 3 metros de altura, na mão-de-obra os chamados bóias-frias da maconha (geralmente são brasileiros) trabalham no plantio e na colheita da erva, recebendo em média R$ 20,00 por dia. No Brasil, um dia de trabalho num roçado de maconha rende R$30,00 quase 15 vezes mais do que numa lavoura de cebola, que é transportada em pacotes de 2 a 5 quilos, depois são acondicionadas no meio das cargas dos caminhões que se destinam as grandes favelas. O intermediário paga R$30,00 por quilo ao produto, e em alguns lugares o preço chega a R$400 por quilo.

Já nas favelas das grandes cidades, é feito toda uma divisão para um melhor controle da "mercadoria", o dono da boca que comanda tudo, chegando a lucrar R$100 mil por mês, a contenção, o segurança, o falcão e a Maria-Fuzil que são responsáveis pela vigilância do local (essa ultima, geralmente atraída pelo dono da boca), o gerente que é braço direito do dono da boca e por fim, aquelas pessoas que ficam responsáveis pela circulação da droga.

(na verdade tem mais alguns outros cargos, mas estou com preguiça de escrever.)

O comércio só existe de tal forma, pois a sociedade o proíbe de existir de outra maneira (uma maneira que certamente renderia ao país benefícios como empregos e crescimento do pib oficial). Ou seja, se legalizar, provavelmente o mesmo acabará. Mas lembrando que nenhum pai (ou uma grande maioria) brasileiro, gostaria de ter seu filho fumando a tal erva dentro de casa.


- nai.

Ascenção, Apogeu e Surto

Eis que os algozes da pura criatividade iniciam o rito fúnebre;
Modelando a sanidade juvenil,
Ditando-lhe tudo que os desejos podem - ou não - ansiar.
E eis que a mente fresca passa os próximos vinte e poucos anos
Conquistando tudo que há para conquistar;
Até que aos quarenta anos dê um último suspiro consciente
E surte.






Escrito por Viviana M.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Coisa Para Ouvir.




CocoRosie é um duo americano, formado pelas irmãs Sierra Rose Casady e Bianca Leilani Casady, que toca indie rock, indie eletrónico ou "dream pop".



Um sonzinho bem agradável aos amantes do indie, do eletrônico, do pop e do post-rock. O CocoRosie mistura belas vozes com um conjunto de cordas que mais lembram uma lira, mas que na verdade não passa de uma guitarra muito bem turbinada por pedais de efeito e coisas do gênero.

As irmãs Sierra Rose Casady (guitarra, flauta e vocal) e Bianca Leilani Casady (percussão e beat box) foram separadas quando tinham, respectivamente, cinco e três anos de idade, devido à separação de seus pais (que as criaram separadamente) e se reencontraram em 2003 na frança. Inicialmente fizeram um álbum de hip hop
(!) sob a alcunha de Word to the Crow, apenas alguns dias antes do primeiro álbum do CocoRosie, La Maison de Mon Rêve. Neste disco encontramos a maravilhosa instrumental Candy Landy e também a calmíssima Good Friday que não deixa nada a desejar.


Destaque para o álbum Noah's Ark (2005) que tem a participação de Devendra Banhart,além de ser inexplicavel e merecer ser ouvido uma, duas e até mesmo mil vezes seguidas.
Outro destaque para o novo The Adventures of Ghosthorse and Stillborn (2007) que tem uma das faixas disponíveis para stream aqui.




E essa é a minha dica super cult para o post de hoje.








T.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Um Pé Na Porta.







Cinco pessoas, um propósito, boas idéias e mãos à obra.
O Tarja Preta é um zine que tem como objetivo informar às pessoas da cena rock baiana sobre assuntos como política, arte e cultura em geral, diversão e atualidades. Enfim, mais uma daquelas idéias revolucionárias clichês que se assimilam a objetivos de vida, mas que muitas vezes não duram muito além da adolescência (e que depois são contados para os filhos como uma parte vergonhosa da vida de quem fez).


Aqui não há o que temer. O Tarja Preta pretende ser um meio de comunicação neutro, porém, ativo em relação a assuntos polêmicos e afins... Em outras palavras: Um Jornal Chato. É, 'chato' no bom sentido mais puro da palavra. Chato como nossos pais que tanto nos imploram para ler um livro, que nos pedem para estudarmos e etc. Ou seja, Muito Chato.


Como nós sabemos que nem todo mundo nessa cidadezinha mixuruca é muito fã de ler e etc., vamos ser bem diretos em nossa linguagem e repletos de veneno para destilar por aí. Se você acha que já viu de tudo desde os Beatles até os (malditos) EMOs... Prepare-se para não ver mais nada.


TARJA PRETA.